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13.31 TEXTOS – percepção – Capítulo 6

August 27, 2015 by in category Textos 13.31 with 0 and 0

Material escrito por Vinicius (tr3zetrintaeum) e compilado em diversas postagens.

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VI

Além dos sistemas representacionais, existem diversos outros fenômenos humanos da comunicação que podem ser utilizados para estar em sincronia com outras pessoas. Existem diversos outros sinais corpóreos e verbais que dão pistas do que se passa dentro do pensamento e inconsciente das pessoas. Milton Erickson era um verdadeiro mestre em captar e perceber estes sinais, que eram tidos como guias para a continuidade e a prova de que um procedimento estava dando certo ou não. Por ter sofrido de duas poliomelites, ter visão limitada (daltonismo) e viver parte da sua vida com pouca movimentação em uma cadeira de rodas, teve de treinar ao máximo sua habilidade de ter uma visão periférica, ou seja, estava atento a tudo o que ocorria numa visão de 180 graus ou até mais. Quando tratava de alguém, conseguia ver, sentir e ouvir pormenores que geralmente parecem ocultos. Muito do que se sabe hoje de biofeedback, respostas analógicas da comunicação humana, deve-se a esse gênio da terapia.

Um estudo exposto por Brandler e Grinder mostra uma interessante ferramenta que pode auxiliar no processo de obter respostas incoscientes das pessoas. Eles observaram, e para isso pesquisaram diversos povos de partes do mundo, que em geral as pessoas movimentam o globo ocular para lados específicos conforme tem experiências internas, pensamentos e etc. Chamaram este fenômeno de pistas de captação visual e são muito úteis no processo de obter respostas outônomas antes mesmo da própria resposta verbal.

Existem várias formas de usar a mente e memória para se obter um pensamento específico. A mente pode recordar de uma imagem, som, sentimento de alguma experiência passada, tão bem quanto pode criar estes mesmos elementos ou até mesclar lembranças e criações. Qualquer objeto do mundo externo pode ser representado pelo cérebro através de uma imagem, sentimento, cheiro, gosto ou som recordados. Pode também sofrer um ou mais processos de transformação da modelagem humana, eliminação, generalização e distorção, além de objetos irreais também poderem ser gerados através de conexões com experiências passadas com formas, texturas, cores e padrões específicos. Há uma diferença entre uma imagem recordada e uma imagem criada, assim como sons ou sensações recordados e criados também são frutos de processos distintos do cérebro. Diferenças estas que podem ser verificadas através do padrão ocular (além de outros meios), que é comum para a maioria das pessoas, havendo pequenas distinções e/ou inversões e alguns indivíduos que estão fora da regra.

Como o corpo expressa em forma de sinais aquilo que ocorre na mente, essa flexibilidade da imaginação humana também sofre o mesmo processo autônomo de exposição, resultando nas pistas de captação visual que podem ser analisadas e verificadas por qualquer pessoa. Blander e Glinder expõe estas pistas no seu brilhante trabalho “Estre Sapos e Príncipes”. Apesar de haver um padrão que possa ser estudado para estas pistas, não se pode esquecer que as pessoas são únicas e podem apresentar variações. Algumas pessoas, principalmente as canhotas, podem apresentar uma organização invertida deste padrão, mas para grande maioria, que são “normalmente organizados” podemos categorizar as pistas de captação visual, perante a direção do globo ocular, da seguinte forma:

Olha para cima e direita – Imagens visuais construídas

Olha para cima e esquerda – Imagens visuais recordadas

Olha para o centro e direita – Sons de palavras auditivos e construídos

Olha para o centro e esquerda – Sons de palavras recordados e auditivos

Olha para baixo e direita – Sensações cinestésicas (incluindo olfato e paladar)

Olha para baixo e esquerda – Sons auditivos ou palavras

Olhos fora de foco e imóveis também indicam captação visual.

Se uma pessoa é “normalmente organizada” e ouvir a pergunta “o que você comeu ontem no almoço?” provavelmente que seus olhos olharão (rapidamente ou não) para cima e esquerda antes de ter a resposta verbalmente e pronunciá-la, ou seja, a resposta já foi dada através dos olhos, pois para pensar na imagem do almoço a pessoa ela teve de apresentar este padrão autônomo de busca de imagens recordadas. Se ao invés disso lhe falasse “Imagina um elefante cor de rosa” ou “Imagina que você comeu um tomate azul ontem” seus olhos seguirão a direção superior direita, pois o cérebro teve que contruir esta imagem, que antes não existia. A mesma coisa ocorre com uma sensação ou som, geralmente as pessoas olham para baixo e direita para recordar sensações cinestésicas, ou cheiros e gostos, assim como olham para o centro e direita quando deve criar um som e centro e esquerda ou baixo e esquerda quando lembram de uma canção da infância ou da voz de algum conhecido.

As pistas de captação visual podem ser bem nítidas ou bem sutís, por isso o treino consciente é necessário, pois sempre finda numa automação insconsciente. Um grupo de indivíduos que possuem esta automação em sua comunicação pode ser consequentemente mais integrado, honesto e autêntico em suas relações interpessoais, pois possuirão o refinamento necessário para se obter respostas incoscientes. Ao mesmo tempo este processo é extremamente útil em terapia ou comunicação em geral. Se o terapeuta é dotado desta capacidade, pode ajudar muito mais na mudança de seu paciente, tendo em mãos os recursos internos dele e principalmente percebendo, verificando e ajudando a transformar suas incongruências.

O tempo todo estas pistas estiveram nos olhos das pessoas quando seus pensamentos se voltam a procurar ou criar imagens, sons, sensações internas. Acontece que o ser humano é tão enraizado num modelo de mundo que oportunidades de conhecimento apenas por observação, que é o caso, não chegam a ele, ou chegam e passam despercebido. Existe inúmeras pistas além destas que podem guiar o comunicador para o que acontece dentro de um indivíduo. Suor, mudança de cor da pele em regiões específicas, tensão ou relaxamento de músculos principalmente da face, posições corporais e membros superiores e inferiores, tom da voz no caso de se estar falando, ritmo da voz, temperatura, pressão sanguínea, respiração e muitas outras que estarão a disposição do  dos olhos, ouvidos e mãos do comunicador atento e treinado. Lembrando que há pessoas, como grandes teraputas (Satir, Erickson etc) que possuiam esta habilidade naturalmente e fora necessário outros estudiosos para observá-los trabalhando e decodificar suas técnicas e conteúdos.

 

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